Saber administrar quem somos, passa pela compreensão de si, dar ordens e comandos para a existência e às próprias características. Permitir-se às portas, ou seja, abrir portas para experiências, permitir se a experiência, porém não deixar a análise, porque, se de repente perceber que o conhecimento que adentrou nossa casa através dessa porta que abrimos e não nos serve, é hora de fecha-lá.
A presença de amores fixam se em nós também pela ausência de quem amamos, sofrer essa ausência não é erro, porém insistir em mantê-la como processo que escraviza a ponto de ocupar-se constantemente dela é erro, a ausência que nos torna escravos passa como imposição que fazemos a nós mesmos, retira nos a dinâmica de existir para as novidades, a ausência deve ser lembrança madura e feliz e não motivo de neuro-escravidão.
A possibilidade de ter alguém que fará parte da nossa vida é uma construção. Dizer qual pessoa será um edificio maior ou menor depende de nós mesmos, somente o eu constrói o outro, só o dono da casa sabe dizer a quem abre a porta de sua morada e ainda mais, adomesticar não cabe somente aos animais que estimamos, mas adomesticamos aqueles que queremos como companhia, ou seja, [a+domus = tornar de casa] damos nossa possibilidade de dividir e somar nossa casa com quem consideramos que vale a pena acolher. Somos o que construimos e elegemos, construções e escolhas. Somos nós que elegemos quem terá saliência na nossas realidades, elegemos o que vale mais, elegemos no que crer, em o que fazer e quem permanece conosco na caminhada, mesmo que seja uma ausência, somos nós que dizemos até quando o outro permanecerá. Se adoçamos ou azedamos nossas histórias, de um limão fazemos limonada, ou se não, é uma resposta condicionada a nossa decisão, de como permitir a permanência do outro e se permitiremos permancer, uma dica, se for pra permanecer que seja para melhorar o que se é, que seja para largos sorrisos de lembranças boas e no caso de permitir a presença efetiva de outro indivíduo não permita-se dormir com problemas, sempre limpe a cama dos espinhos que poderá trazer do dia vivido, deitar-se e dormir bem resolvido na vida é um direito para quem quer viver livre, sem amarras de nenhuma natureza, uma vez que o menor espinho poderá causar uma inflamação e se ele não for retirado, poderá perder tudo que ele afeta como parte de si. Há uma necessidade de iluminar nossa consciência de forma positiva, sofrer o luto e administrá-lo, após o sepultamento, seguir o caminho de volta para a casa e a vida cotidiana dos que vivem ao nosso redor. O caminho sempre se confunde com o caminhante, é o caminhante que faz o caminho, por mais que seja difícil de não ter o ponto físico onde depositava carinho, abraço, o prazer de estar junto e a companhia, ignorar o fato não altera o que ja aconteceu de morte, mas precisa se voltar a cuidar da própria casa, quem vitaliza a nossa casa somos nós mesmos, somos nós que acendemos e apagamos as luzes que a clareiam, somos nós quem a sujamos e mais ainda quem a limpa. Permitir a permanência do outro por sua ausência é um desafio para quem quer sorrir com as novidades de outras presenças, sem esquecer o bom de ter vivido sincero presenças passadas.

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