Tenha calma, não tente abrir o casulo fora do tempo natural, senão matará essa vida existente para tornar se mais que aparente inércia, obedeça o tempo mas seja dinâmico no que é chamado a fazer.
Junte os elementos cotidianos e necessários no processo de construção social do ser pessoa e perceberás que todo elemento contrário é fundamento do processo inteiro, esforce-se porque é complexo perceber o contrário como mola propulsora na construção de si, quando aparentemente ele traz a desconstrução, ou seja, comumente aprendemos olhar o adverso como inviável, por isso fazemos do contrário um oposto improdutivo e esterilizamos a possibilidade de fazer a construção do homem novo.
A pior solidão é a ausência de si mesmo, essa ausência é pior por ser a maior de todas. Buscar a aceitação do círculo de interesses imediatos força muitos indivíduos a lançarem-se na maré dos transvalores, criam um personagem que seja bem quisto aos que os rodeiam, sem mesmo perceber que deixou la atrás a si mesmo, aparentemente trilhou um caminho ideal, ou seja, não trilhou o caminho real, não se fez o ser humano que deveria ter sido, construido como pessoa, com seus gostos e desgostos.
A dor, o sofrimento sincero e o contrário não é maldade, faz parte da vivência que como diamante se desconstrói de pedra bruta e por cortes é lapidado em todos os seus lados.
Constatar a ausência de si é também um sinal que ainda há tempo de construir a si, no entanto deverá também desconstruir o personagem criado para os outros, constatar a ausência de si é renunciar e anuncia aos outros o novo, o autêntico e por vezes o inédito, o ego sum, o ecce homo, o ser verdade, o absoluto.
Na busca da construção de si e a ocupação do próprio espaço em si, será necessário adoção de postura nova, não é aniquilar o que se é até então, mas desnudar o que se é, tirar as vestimentas que cobrem o ego integral e para tanto deverá alimentar se de todos os sonhos que te farão dar passos de conquistas. Alimentar a si nessa caminhada de busca é antes ainda alimentar o núcleo dos sentidos e sentimentos, alimentar o próprio coração-consciência, em parte é alcançar "a la nietzscheana" o grande humano (não me refiro a ideia equivocada de antiteismo), mas tornar-se quem se é, de maneira que permita-se viver o que se é, sem abortos existenciais ou descartes de possibilidades que não nos fazem ser quem somos.
O jeito tão estranho de amar do outro é estranho porque configura diferença ao meu modo de executar o amor, pode ofuscar a beleza própria de sentimento sublime, justamente porque interpretamos o amor como algo pequeno, como sentimento, amor é compromisso e aderência real da vida é a possibilidade de fazer o outro maior e melhor, desse ato de morte de si, buscar se a si mesmo e conhecer se a si mesmo.
Integrar o corpo à vida que ele representa, ou seja, é o mesmo que retirar o coração da escuridão e mostra-lo em cores reais, tirar o véu que cobre os sentidos e as justificativas da própria vida.
Por diversas vezes é necessário recomeçar, fazer novo denovo, é inaugurar o ser pessoa a cada dia, construindo o mistério da colcha de retalhos que a vida costurou parte a parte, seja nas lágrimas de risos ou lágrímas de outras ausências.
No fim das contas perceberás que a calma faz bem, mas mesmo assim a vida que se traduz em anos passa rapidamente e a borboleta que era larva e casulo inaugurou seu vôo para viver tudo como se fosse um dia de primavera, buscou ventos que lhe fizessem feliz, encontrou ventos fortes que a mudaram de rumo, conheceu jardins que eram inimagináveis, encontrou-se com outras vidas, percebeu que eram diferentes mas ainda assim eram borboletas, viu mais cores que a suas e mesmo com pouco tempo não desiste de viver bem, porque tudo ocorre como se fosse um dia somente de vida!

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