SARESP (Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo)
Desde o ano passado, quando ainda lecionava na Unidade Escolar Peixoto Gomide, fiz uma questão conjunta com os colegas do trabalho docente e gestão, afim de indagar o dirigente de ensino que nos deveria responder em video-conferência a toda delegacia de ensino sintonizada. Feita a questão pareceu nos a alegação que esta não estava dentro da perspectiva e motivo do evento, enfim, desiludido, confesso que não fui respondido. Resta me tirar as conclusões pelo consenso dos colegas e os próprios fato, avaliações e os trabalho das escolas que leciono.
Nesta última segunda-feira, 16 08 2010, refizemos os trabalhos de análises dos resultados dos SARESPs anteriores, em vista a coadunar os resultados bons e ruins ao trabalho educador do ensino oficial do Estado de são Paulo, enfim, uma falação, discursos e mais discursos que na prática não percebo resultado eficaz, em vista do tempo coletivo desprendido, acredito que seria melhor uma análise individualizada por cada docente de acordo com os resultados gráficos.
É interessante perceber como a instituição genuínamente formadora de gente, hoje, está moldada a "la empresa", parecem que as mostras gráficas e percentuais fazem diferenças, um bonito trabalho, um gráfico pra isto e outro gráfico pra aquilo, e no funfo no fundo, o fulaninho sentado na carteira ainda é semi-analfabeto já no terceiro ano do ensino médio (como queria pode dizer que isso é um exagero!).
Retomando uma reflexão assumida por minha alçada a um tempo, penso sobre o que é fundante de sentido pra um estado que quer formar a humanidade das pessoas e seus saberes, quando, por exemplo, a área de ciências humanas, mais especificamente Filosofia, tem o espaço de uma aula nas classes de segundo e terceiro ano do ensino médio, como converso com outros colegas, mal se dá o tempo de entrar na sala, fazer a obsoleta chamada, colocar a turma em ordem e explanar o tema inicial, isso levando em conta que se a indisciplina não existesse. O buraco, como diz o dito popular, ainda é mais embaixo, realmente não sei o que é mais inadequado, se o diário de classe (que para todos os efeitos deve ser bem elaborado, registrado sem rasuras e floriado pelo docente, afim de agradar os olhos dos superiores) que registra as ausências e notas (que as vezes nada adianta, porque cabem se recursos de todos o modos possíveis para promoção do aluno da escola pública hoje em dia) ou a prática da progressão continuada que funciona somente na França, ou seja, o Brasil não se adequa a moldes novos e desenvolvidos para outras realidades, não depende somente da boa vontade gestora, não é processo unilateral, requer uma pré-disposição de consciência de pais e o aluno, e isso a maioria não tem, muitos não tem nem uma base familiar bem estruturada. Como pensar um aluno que tenha autonomia de aprendizagem se o mesmo não vê necessidade, é desistimulado por ausência de perspectiva inclusive, enfim, como eu disse no início, tenho uma questão que ainda não foi respondida, aliás, algumas questões carentes de solução.
Segue depois deste parágrafo a transcrição da minha lauda manuscrita durante o "Dia do SARESP na Escola" e com ela as minhas lúdicas e sincera indagações:
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U. E. DESEMBARGADOR BERNARDES JUNIOR, DIRETORIA REGIONAL DE ENSINO DE ITAPETININGA - 8' 38'' - 16 08 2010
(... maldito vidro quebrado atrás de mim, está muito frio, eu mereço esse vento na nuca mesmo, é o carma profissional
...se não fosse cômico, seria trágico, as vezes olho para professores, alunos, gestores e funcionários e me desanimo, enfim, a escola do estado hoje em dia, se murar é hospício e se jogar uma lona por cima vira circo.)
DIA DO SARESP NA ESCOLA - Análise dos resultados anteriores em vista do futuro.
(futuro bônus cortado, futura licença saúde por patologia mental, futuro empréstimo no banco, futuro qualquer coisa, menos melhoria na educação e na vida dos que estão envolvidos nela pelo estado, aff, deixa eu tentar escrever algo mais útil)
(... esta seria a questão para o dirigente; se me deixassem fazer!)
Ao tocante da competência de ler, a dinâmica da Educação pauta equívocos. Ler bem não tem sido ler o que é bom. Parece que a gestão confunde se agradando com bonitos gráficos que denunciam mal desempenho. O plano da Educação do governo de são Paulo vem acompanhado do boletim do IDESP com desfavorecimento, confirmados pelos índices do SARESP, que denunciam significativa parcela de não evolução ou desempenho. Como pensar o exercício docente em favor do aluno insuficiente? O que é fundamental para a escola que confere o certificado de conclusão do curso de Ensino Médio aos alunos que não correspondem as expectativas delineadas na proposta curricular das competências e habilidades? O que é mais importante: ensinar um método de raciocínio que deriva exercícios de saberes ou uma aparente habilidade em domínio básico de competências forjadas em presença na sala de aula sem o mínimo de desempenho exigido para aprovação nas aulas?
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Bom, tendo findada minha escrita, resolvi colocar e expandir um pouco mais a reflexão aqui no blog.
Sabemos que existem níveis de resultados do SARESP, sendo eles descritos como: abaixo do básico, básico ou adequado e avançado ou como sugere um próprio site da Educação: Insuficiente, Adequado e Avançado, no entanto, considerando a nomenclatura distintiva de insuficiência, percebemos que ela beira a 1/3 dos alunos avaliados, aqui volto a questionar: o que é fundamental para uma escola que confere certificado de conclusão do Ensino Médio aos alunos que estão abaixo do básico, que estão insuficientes de concluir o curso médio? Que critérios adotar no exercício e dinâmica das escolas, mediante essas estastísticas e índices?
Seguem os resultados competentes ao ano de 2009 em porcentagens referentes as disciplinas de Lingua Portuguesa e Matemática:
a)Insuficiente b)Adequado c)Avançado
Português:
4ª série do fundamental: a)20,9% - b)68,8% - c)10,3%
8ª série do fundamental: a)22,5% - b)75,1% - c)2,3%
3ª série do médio: a)29,5% - b)69,8% - c)0,7%
Matemática:
4ª série do fundamental: a)30,3% - b)63,3% - c)6,3%
8ª série do fundamental: a)27,6% - b)71,2% - c)1,2%
3ª série do médio: a)58,3% - b)41,2% - c)0,5%
Segundo um velho dito popular caipira, "não adianta culpar os burros quando cair no buraco, se quem dirige a carroça não sabe onde quer chegar", quem disse isso foi meu pai, que não tem certificado de conclusão de curso nenhum, tendo feito o extinto curso primário da sua época (hoje equivale do primeiro ao sexto ano do ensino fundamental de educação básica) e ele não era avaliado pelo SARESP da sua época, enfim, se existe um instrumento de avaliação do próprio estado isso quer dizer que algo já contempla insuficiências!
Vale relembrar a tirinha que compara a escola ontem e hoje, não queremos voltar na escola do passado, queremos a qualidade de ensino do passado que não passa pela indisciplina das salas lotadas e o sucateamento da educação!
Parece-nos que temos tantos recursos e não sabemos usar em nosso favor, se pensarmos bem a impressão genérica é que não se quer um aluno desenvolvido, mas sim um alienado e entretido, um ser não questionador, descarregado da consciência pesada do concluir o curso e aprender pela ordem do fazer, sem compromisso com a sociedade e ainda mais a fundo, sem compromisso consigo mesmo, acostumado com o salário de fome entretido com seu celular, mp20 ou qualquer coisa que foi comprado afim de ser instrumento de comunicação e desenvolvimento e que tem tudo, wirelles, toca mp3, baixa videos, sms, messenger, acessa redes sociais, tira fotos com zilhões de mega pixcels, mas, falta uma coisa só, falta crédito, mas enfim, bobagem, o importante é entreter-se e não desenvolver se. É uma pena.
Fico por aqui, o que fazer com a escola? O que fazer com a consciência jovens? E o senso comum tem solução, quando o instrumento de emancipação humana, a escola, é como um parafuso espanado, é como um inferno que todos sabem que existe, mas geralmente não funciona?
É O FIM!



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