quinta-feira, maio 27, 2010

Fenomenologia da religião. Crentes e Antiteistas. Moral, Fé e Vivência social da diversidade. Ligar? Re ligar? Des ligar?

O que tenho visto?
Perguntei a uma amiga porque preferia não ser religiosa e percebi que a religião, por vezes, não é bem vista por não ser bem vivida e assim testemunhada.
Acredito que Friedrich Nietzsche, quando escreve "bradamos em alto e bom tom! viva! Deus está morto", ele vivencia essa mesma visão da ausência do bom testemunho.
Percebi que a realidade vai além das teorias religiosas, que a religião existe do ideal e não se liga ao real, como deveria. Impressiona que a religião vive do que deveria ser e não do que é em ato e fato, aparenta que os crentes não vivem da misericórdia pelo lado dos miseráveis, há excessões, mas ainda parece que além de não serem miseráveis, existem os que também não são misericordiosos. Fala-se dos corações de pedra e dos corações de carne, mas por vezes petrificam o outro apontando o erro, ou se quizer uma linguagem adequada ao assunto, apontando o pecado (que, etimologicamente, quer dizer "errar o alvo") em vez de irmanar se na dor, em vez de tirar lhe o peso, o sobrecarregam com o apontamento da falha. Neste ponto, não entendo, por que dessas posturas, se muitos dos enviados, messias, mentores, cristos e avatares, trouxeram ensinamentos ao contrário dessas atitudes, a religião é uma promoção de ser humano, de fazê-lo melhor nas suas realidades!
Por que pensar em ser melhor que o outro por ser religioso?
Eu acredito nos atos que religam e promovem, e não nos abortos causados pelo ideal do que deveria ser e não é!
Por que ser crente (em sentido amplo do que tem fé instituida), para alguns, carrega o sentido de ser triste, deslocado socialmente, semblantes abatidos, descuidados da boa aparência física, inteligências estreitas e bitoladas, que deve viver assutando se com realidade humanas já conhecidas, que não admitindo-as e tê-las como necessidade de julgar e condenar, tudo isso no tribunal instalado na própria mente e própria maneira de julgar o que é o certo.
Sabemos que existem Tabus, e numa pesquisa rápida você verá que a definição linguistica do termo, tem significado extenso, mas, em geral, significa que uma coisa é proibida, ramificando-se em duas direções opostas: por um lado significa consagrado, sagrado, por outro, significa misterioso, perigoso, proibido e imundo. Por exemplo, Jesus quebra os tabus da sua sociedade. Sabemos que os enviados vieram para quebrar o Tabu, mas os seguidores alimentam posicionamentos que mantém e sustentam o Tabu, julgam o certo pelo próprio jeito de viver, correndo o risco do critério particularizado, o critério inválido e errôneo!
Existem ocasiões que parecem nutrir a antipatia de ditos crentes, por algumas pessoas, que simplesmente estão no mesmo ambiente. Por aparência, visões individualizadas querem sobrepor ao gênero e natureza comum, e segundo um amigo, a raiz do mal está na antipatia, que leva me a condenar as posturas dos diferentes, identificando outros que comungam dessa mesma antipatia e nutre-se com esse outro, um diálogo unilateral do teoria do certo como contrário ao que foi visto no diferente, ou seja, dois antipáticos, comunam fofocas e criam o erro no outro. Há uma ausência de reflexão, prima se pelo senso comum.
Vivemos de uma sociedade diversa, mas parece que ser crente e religioso as vezes é afastar se desse meio social afim de não se contaminar. Como, então, transformar pra melhor esse caos social? Se Jesus não se identificasse com os maginais, como por exemplo os pastores, Jesus se comunica como pastor e bom, se ele não fosse atrás dos que eram periféricos e não "prestavam" e os dessem sentido novo de viver, existiria cristianismo?
Em outro extremo, percebo em alguns aliviando o fardo dos desfavores cotidianos e dos próprios erros justificando como obra do diabo, daqui uns dias vão apregoar que ser pobre e sofrer é coisa do capeta também, o diabo que recebeu na idade média a figura monstruosa com rabo, chifres, hoje está mais para um "palhaço, caricato e parceiro" incorporando e desincorporando nos fiéis pentecostais nas sessões dos descarregos e outras formas de culto, exorcistas banais, isso tudo sem contar as barbáries que os cristãos pentecostais fazem com a questão da fé, ja vi e ouvi tanta coisa, desde "igreja" que "Jesus desce o pau no diabo", a "do cuspe de Cristo", é, esses são os nomes das ditas igrejas, que mais aparentam, na maioria, ser uma antigo boteco, já ouvi dizerem que Candomblé e Macumba é coisa do diabo, sem sequer conhecerem ou estudarem as religiões africanas que se originaram nas religiões do Egipto Antigo, aliás, vivemos a religião da novidade, por exemplo a religião Egípcia tem mais de 4 mil anos de existência, em comparação ao Cristianismo são dois mil anos a mais, dentre outras questões, como em ordem moral já ouvi pastores dizendo que o homo-afetivo, o vulgo, gay, é maldito e vai pro inferno simples assim; não seria correto acolher e ajudar?
Por que não desenvolver uma educação que promove cuidados com o outro? Por exemplo articulações sobre o tema da AIDS, em resposta a uma ética de exclusão pela ética da solidariedade, em vez de promover consciêcia de preconceitos!
Comunhão e promoção humana; não era essa a proposta da religião?
Se realmente ser religioso é adotar posturas de repressão, condenação moral, de fechamentos, de não promover nada além de uma aparência de compromisso, se for essa coisa de cooperar com quantia financeira em culto, me aliviando o ego que justifica os "conceitos" sobre o que é certo, por que ser religioso?
Voltando ao assunto nuclear desse post, que era o discurso da minha amiga atéia, percebo que a sociedade é democrata, pelo menos na questão religiosa, se bem que, as vezes, querem apregoar leis teocratas em questões política, e de tão diversas vozes, em vez de ganhar, perdeu qualidade, justificando que muitos querem ganhar dinheiro e não qualidade, enfim, o discurso da cidadã é de quem olha e vê uma religião de fora para dentro.
Se bem que o que tem haver essa visão? Se é algo bom, que deve ligar o ser a algum sentido bom [re-ligare], deve aparentar algo bom de todos os lados, mesmo para quem olha de fora! Era assim pelo menos no início da comunidade de Jesus, quando os pagão exclamava, "olhem como eles se amam!" Se bem que até eu que conheço, por vezes não enxergo isso, mas, encurtando o discurso, seguem os argumentos aparentemente nietzschianos, mas não nihilistas!
As vantagens de não ser religioso:
"Você fica com 100% do que ganha, não precisa ir a missa toda semana, dá para ver uns 25 filmes a mais por ano, não precisa ajoelhar e contar seus podres para alguém pior, pode usar pílula e camisinha, se seu casamento não der certo você pode tentar outra vez, sem culpa, ao invés de rezar e esperar por ajuda você se esforça mais e consegue as coisas, como não se preocupa com vidas passadas ou futuras, vive melhor esta, pode ser bom e justo por opção e não por ter sido ameaçado por deuses e pastores, pode fazer o que quiser no sábado, inclusive ver TV, andar de carro e de elevador, comer carnes, jejum só na dieta ou para fazer exame de sangue, as mulheres podem se depilar, usar roupas menos bregas, seguir leis atuais de acordo com a sociedade que vivo e não as leis escritas há milhares de anos por peregrinos do deserto que me condenaram por ser gay hoje, sem mesmo imaginar que eu existiria, as 17hs pode tomar um chá ou café ao invés de procurar a direção de Meca para orar, sendo mulher não preciso dizer amém a tudo que o marido faz, me esconder em burcas, você não precisa acreditar em maçã do pecado, cobra que fala, mar que se abre, virgem que dá a luz, anjo que traz recado e pra finalizar posso ser livre, se posso escolher em que acredito. Seja livre, seja Ateu".

Julgar e condenar ou adotar outra postura, o que a fé indica?
Diante disso tudo o que tem sido a sua religião e o que tem sido o critério de alimentar a fé, o que você tem feito para que seja um bom sentido?

Nenhum comentário:

Postar um comentário